" Um professor influi para a eternidade; nunca se pode dizer até onde vai sua influência."
(Henry Adams)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

As especificidades da ação pedagógica com os bebês - Parte III

 
Maria Carmem Barbosa
4. ORGANIZAR UM PERCURSO EDUCATIVO PARA OS BEBÊS
Como vimos anteriormente, uma especificidade da pedagogia realizada junto aos bebês é a da centralidade das brincadeiras e das relações sociais. Portanto esta é uma pedagogia que torna imprescindível possibilitar encontros e visibilizar os modos e as diversas formas de relacionamento que se estabelecem entre as pessoas. Educar bebês não significa apenas a constituição e a aplicação de um projeto pedagógico objetivo, mas implica em colocar-se, física e emocionalmente, à disposição das crianças e isto exige dos adultos comprometimento e responsabilidade.
A responsabilidade, a competência, a formação dos gestores, professores e demais profissionais precisa também estar vinculada à delicadeza, ternura, empatia e capacidade comunicativa. Os envolvidos na educação de bebês precisam protegê-los de qualquer forma de violência – física ou simbólica – ou de negligência no interior da instituição. Sempre que algum tipo de discriminação ou violência for praticada contra um bebê é preciso realizar os encaminhamentos das violações para as instâncias competentes.
A tarefa dessa pedagogia da pequeníssima infância é articular dois campos teóricos: o do cuidado e o da educação, procurando que cada ato pedagógico, cada palavra proferida tenha significado, tanto no contexto do cuidado – como ato de atenção aquilo que temos de humano e singular – como de educação, processo de inserção dos seres humanos, de forma crítica, no mundo já existente.
Uma pedagogia de encontros e relações
Numa sala de berçário muitas relações se estabelecem. Relações entre as crianças e entre os adultos e as crianças. Porém as relações que se estabelecem entre os diferentes adultos pais, professores e demais profissionais não pode ser descuidada.
Apesar de realizarem atividades diferenciadas, professores, gestores e os diversos profissionais da escola, todos trabalham tendo um objetivo comum: oferecer para as crianças e para as famílias uma escola de qualidade. Muitas vezes as dificuldades nas relações entre os adultos acabam afetando o trabalho pedagógico e também as próprias crianças. É indispensável que estes fatos sejam observados e que se criem na escola momentos de formação para partilha das dificuldades, a comunicação, a resolução de conflitos e a felicitação pelos êxitos.
As relações entre professores e crianças
Os adultos são responsáveis pela educação dos bebês, mas para compreendê-los é preciso estar com eles, observar, “escutar as suas vozes”, acompanhar os seus corpos.
O professor acolhe, sustenta e desafia as crianças para que elas participem de um percurso de vida compartilhado. Continuamente, o professor precisa observar e realizar intervenções, avaliar, e adequar sua proposta às necessidades, desejos e potencialidades do grupo de crianças e de cada uma delas em particular. A profissão de professora na creche não é como muitos acreditam apenas a continuidade dos fazeres “maternos”, mas uma construção de profissionalização que exige além de uma competência teórica, metodológica e relacional.
As relações entre as crianças
As crianças na creche têm a experiência de viver cotidianamente em uma coletividade com meninos e meninas de idades diversas. Os bebês desde muito cedo procuram as outras crianças com olhares, esboçando sorrisos e sons, tentando através do corpo tocar no colega. A ação pedagógica na turma de bebês deve favorecer o encontro entre eles em diferentes espaços e momentos do dia. A professora ao observar precisa estar atenta aos movimentos relacionais do grupo e favorecer o desenvolvimentos corporal, afetivo e cognitivo dos bebês.
As relações com as famílias
A escola, através dos gestores e professores, tem o compromisso de construir relações com as famílias. As relações podem ser propiciadas através de distintas formas de encontro, mais ou menos formais, como reuniões, entrevistas, festas... Isto é, algumas situações individualizadas, e outras coletivas que favoreçam a escuta e as trocas. Assim as famílias irão sentir-se valorizadas e afirmadas na sua função parental, de responsáveis pela educação de seus filhos. A pluralidade de encontros favorece a construção de laços, a confiança e a troca. Mesmo antes do ingresso dos bebês na creche, é preciso que as famílias conheçam a escola e tenham tido a oportunidade de compreender e discutir o projeto pedagógico. Uma relação de confiança dos pais ou responsáveis na escola facilita estabelecer vínculos seguros dos bebês com a escola. A interação da escola com as famílias é tão importante que vem sendo considerada como um dos critérios fundamentais na avaliação de qualidade das creches.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

As especificidades da ação pedagógica com bebês - Parte II


Maria Carmem Barbosa
3. CAMINHOS PARA A CONSTITUIÇÃO DE PEDAGOGIA(S) ESPECÍFICA(S) PARA OS BEBÊS
As novas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil apresentam, e defendem uma concepção de sociedade, de educação e de infância que será adotada pelos sistemas educacionais na orientação das políticas públicas de educação infantil, porém elas precisam também estar presentes como fundamentação da organização do cotidiano das escolas infantis. Os serviços de educação infantil podem, a partir das concepções presentes nas diretrizes, revisar e reelaborar seus planejamentos e avaliar suas propostas pedagógicas e curriculares.
As diretrizes apresentam a escola de educação infantil como um espaço educacional que tem o importante papel de compartilhar, de forma indissociável, a educação e cuidado das crianças pequenas com suas famílias. Essa é uma característica essencial deste tipo de instituição e a distingue de outros tipos de estabelecimentos e níveis educacionais. Como vimos anteriormente, a escola de educação infantil vem, cada vez mais, ocupando o lugar da família ampliada especialmente nos grandes centros urbanos. Isto é, ela oferece aos pais e responsáveis pelos bebês parceiros que complementam a atenção, o cuidado e a educação dos bebês e também um espaço para o encontro e a interlocução com pessoas qualificadas para dialogar sobre a educação das crianças pequenas. As famílias não podem ser vistas apenas como usuárias de um serviço, mas como colaboradoras, isto é, co-autoras do processo educacional, pois é preciso sintonia quando se trata de educar uma criança pequena ou um bebê.
Educar bebês na vida coletiva da escola
As crianças ao nascerem se defrontam com um mundo que está em processo contínuo de constituição. Para receber estas crianças, os adultos responsáveis selecionam de seu patrimônio afetivo, social e cultural as práticas de cuidado e educação que consideram mais adequadas para oferecer bem-estar a estes bebês e para educá-los.
Porém esta não é uma tarefa simples mesmo os responsáveis, isto é os pais das crianças, provêm de mundos sociais diversos e necessitam de muito diálogo para estabelecer parâmetros para a educação de seus filhos. Cada família tem um modo de alimentar, embalar, acariciar, brincar, tranquilizar ou higienizar as crianças. E estas ações podem ser realizadas de diversas formas, afinal as diferentes culturas inventaram múltiplos modos de criar suas crianças pequenas. E cada família tem um modo específico para compreender o choro de uma criança, suas necessidades de alimentação e de brincadeira e fazer suas escolhas tendo em vista as tradições familiares ou concepções aprendidas com diferentes interlocutores.
A escola precisa estabelecer uma relação efetiva com as famílias, e a comunidade local, para conhecer e considerar, de modo crítico e reflexivo, os saberes, as crenças, os valores e a diversidade de práticas sociais e culturais que cada grupo social tem para criar seus bebês. Um bebê ao ingressar numa turma de berçário vai ampliar seu universo pessoal ao conectar-se com universos familiares bastante diferenciados.
Obviamente a escola, apesar de seu relacionamento com a comunidade e com as famílias, terá estratégias educativas diferenciadas, pois ela precisa atender as crianças na perspectiva da vida coletiva e não do atendimento individual como acontece nos lares.
A escola, com a participação dos pais, organiza em seu projeto político e pedagógico, um modo de conceber a educação das crianças pequenas e oferecer práticas de vida coletiva, sem se descuidar das singularidades de cada família, de cada bebê e de cada profissional. Na escola de educação infantil, espaço público de educação coletiva, as práticas de cuidado e educação de bebês tornam-se um importante campo de estudos, debates e tomada de decisões que necessitam estar contemplados nos projetos pedagógicos.
O Projeto Político-Pedagógico é o resultado de um trabalho conjunto entre profissionais e famílias, um trabalho de reflexão, debate e confronto. Nele, a partir de princípios legais, um grupo de gestores, pais, funcionários e professores selecionam e explicitam os princípios educacionais que auxiliam aos pais e educadores a pensar sobre o seu agir, isto é, a constituir referências e a compartilhar ações.
Um currículo para os bebês
Para os bebês, a ida para a creche significa a ampliação dos contatos com o mundo, para os adultos, responsáveis pela educação das crianças na creche, significa selecionar, refletir e organizar a vida na escola com práticas sociais que evidenciem os modos como os professores compreendem o patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico e os modos como traduzem, no exercício da docência, as suas propostas pedagógicas.
As práticas sociais que as famílias e a escola ensinam para os bebês e as crianças bem pequenas são as primeiras aprendizagens das crianças e constituem o repertório inicial sobre o qual será continuamente constituída a identidade pessoal e as novas aprendizagens das crianças. Por exemplo, os bebês aprendem a se vestir sendo agasalhados pelos adultos, aos poucos, os pequenos iniciam um processo de participação na ação de vestir-se e, finalmente, eles vão aprendendo a vestir sozinho suas roupas, até mesmo a escolher e demonstrar suas preferências. Esses conhecimentos sociais e culturais apesar de pouco valorizados nas escolas de educação infantil são extremamente importantes para a constituição das crianças, dos seus hábitos, dos modos de proceder, das suas relações e das construções sociocognitivas.
Essas práticas sociais são estruturadas através de linguagens simbólicas com conteúdos culturais. Assim, as propostas pedagógicas dirigidas aos bebês devem ter como objetivo garantir às crianças acesso aos processos de apropriação, renovação e articulação de diferentes linguagens. É importante ter em vista que o currículo é vivenciado pelas crianças pequenas não apenas através de propostas de atividades dirigidas, mas principalmente através da imersão em experiências com pessoas e objetos, constituindo uma história, uma narrativa de vida, bem como na interação com diferentes linguagens, em situações contextualizadas, adquirindo, assim, o progressivo domínio das linguagens gestuais, verbais, plásticas, dramáticas, musicais e outras e suas formas específicas de expressão, de comunicação, de produção humana.
As concepções contemporâneas sobre os bebês, a infância, a aprendizagem e a educação encaminham para a compreensão de um currículo que vislumbre o desenvolvimento integral de crianças nas suas dimensões: expressivo-motora, afetiva, cognitiva, linguística, ética, estética e sociocultural compreendendo as crianças em sua multiplicidade e indivisibilidade.
Porém, quando pensamos nas crianças bem pequenas, isto é, nos bebês temos dúvidas sobre como propor este currículo. Ora, não será certamente através de aulas, de exposições verbais, mas, como vimos anteriormente, a partir da criação de uma vida cotidiana com práticas sociais que possibilitem alargar horizontes, ampliar vivências em linguagens, para que os bebês experienciem seus saberes. Serão exatamente esses primeiros saberes, essas experiências vividas principalmente com o corpo, através das brincadeiras, na relação com os outros – adultos e crianças – que irão constituir as bases sobre as quais as crianças, mais tarde, irão sistematizar os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

As especificidades da ação pedagógica com bebês - Parte I

Texto de:
Maria Carmem Barbosa
lcabarbosa@uol.com.br

1. PALAVRAS INICIAIS
Em 1988, a Constituição Federal atendendo aos anseios da sociedade, especialmente o movimento de mulheres: feministas, sindicalistas ou moradoras de bairros, definiu que o Estado brasileiro deveria garantir a oferta de educação infantil-pública, gratuita e de qualidade - para as crianças de 0 a 6 anos através do sistema educacional. Essa proposição legal desencadeou, nas décadas seguintes, uma ampla expansão dos estabelecimentos de educação infantil. Assim como os demais documentos dele decorrentes, esse texto legal induziu os municípios a construírem
Centros e Escolas de Educação Infantil que atendessem as crianças de 0 a 6 anos, e com isto ampliaram, significativamente, o acesso das crianças de 0 a 3 anos às instituições educacionais públicas.
Nestes vinte anos, a visão constitucional de direito à vaga nas creches e pré escolas para os pais que trabalham vem sendo substituída pela ideia do direito que toda a criança tem de frequentar uma escola de educação infantil. Isto evidencia uma significativa mudança na compreensão dos direitos das crianças e também uma importante aposta na contribuição que a escola de educação infantil pode oferecer às crianças pequenas e às suas famílias.
As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI, 2009) garantindo uma visão sistêmica evidencia que esta instituição deve cumprir suas funções para garantir o bem-estar das crianças, das famílias e dos profissionais.
Função social - Acolher, para educar e cuidar, crianças entre 0 e 5 anos,compartilhando com as famílias o processo de formação da criança pequena em sua integralidade. As creches e pré-escolas cumprem importante papel na construção de valores como a solidariedade e o respeito ao bem comum, o aprendizado do convívio com as diferentes culturas, identidades e singularidades, preservando a autonomia de cada um.
Função política - Possibilitar a igualdade de direitos para as mulheres que desejam exercer o direito à maternidade e também contribuir para que meninos e meninas usufruam, desde pequenos, os seus direitos sociais e políticos como a participação e a criticidade, tendo em vista a sua formação na cidadania.
Função pedagógica - Ser um lugar privilegiado de convivência entre crianças e adultos e ampliação de saberes e conhecimentos de diferentes naturezas. Um espaço social que valorize a sensibilidade, a criatividade, a ludicidade e a liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais.
e, nos últimos anos, as vagas foram quantitativamente ampliadas ainda não é possível afirmar que uma pedagogia específica para as crianças pequenas tenha sido efetivada. Em grande parte das instituições, as singularidades das crianças de 0 a 3 anos, especialmente os bebês, ficaram subsumidas às compreensões sobre o desenvolvimento e a educação das crianças mais velhas. Afinal até hoje as legislações, os documentos, as propostas pedagógicas e a bibliografia educacional privilegiaram a educação das crianças maiores.
Isto é, apesar dos bebês e das crianças bem pequenas estarem presentes na educação infantil, as propostas político-pedagógicas ainda mantêm invisíveis as suas
particularidades e não têm dado atenção as especificidades da ação pedagógica nas escolas de educação infantil.
Antes de iniciarmos a discussão da abordagem pedagógica vamos tentar definir quem são os bebês. Sabemos que a idade biológica ou cronológica não pode ser a única referência para definir até quando um ser humano pode ser denominado de bebê, pois as experiências culturais afetam o crescimento e o desenvolvimento das crianças pequenas.
Em nossa cultura talvez possamos identificar a capacidade de andar, deslocando-se com desenvoltura, e a de falar, ainda que apenas através de palavras e pequenas frases, como sinais do final do período da vida que se define um bebê. Assim, neste texto, vamos considerar como bebês as crianças do nascimento até 18 meses. Depois disto elas podem ser chamadas de crianças pequenas ou pequenininhas.
2. AFINAL, QUEM SÃO OS BEBÊS?
Durante muitos anos os bebês foram descritos e definidos principalmente por suas fragilidades, suas incapacidades e sua imaturidade. Porém, nos últimos tempos, as pesquisas vêm demonstrando as inúmeras capacidades dos bebês. Temos cada vez um maior conhecimento acerca da complexidade da sua herança genética, dos seus reflexos, das suas competências sensoriais e, para além das suas capacidades orgânicas, aprendemos que os bebês também são pessoas potentes no campo das relações sociais e da cognição. Os bebês possuem um corpo onde afeto, intelecto e motricidade estão profundamente conectados e é a forma particular como estes elementos se articulam que vão definindo as singularidades de cada indivíduo ao longo de sua história. Cada bebê possui um ritmo pessoal, uma forma de ser e de se comunicar.
Os bebês humanos quando chegam ao mundo necessitam um longo período de atenção e cuidado para sobreviver. Um dos grandes compromissos dos adultos, que já habitam neste mundo, é o de oferecer acolhimento para estes novos integrantes da sociedade. Se, durante muitos anos, esta era uma tarefa apenas das famílias, hoje em nossa sociedade, é necessário que seja uma tarefa compartilhada com outras pessoas ou instituições. Cada vez mais, em nosso país, as mulheres trabalham fora de casa motivadas pelo desejo de realização profissional, pela necessidade de independência econômica ou então para contribuir com a renda familiar e o sustento dos filhos. As novas diretrizes asseguram que todas as famílias brasileiras têm o direito de solicitar vagas em creches e pré-escolas próximas às suas residências e sem requisito de seleção.
A ausência da família ampliada, isto é, de avós, tios, irmãos morando próximo e ainda o envolvimento de muitos destes adultos no mundo do trabalho têm indicado a escola de educação infantil como o parceiro privilegiado para ser o suporte dos pais e das mães na tarefa de cuidar e educar as crianças pequenas. Esse papel de partilha não se restringe ao apoio concreto durante o período de atendimento direto às crianças na creche, mas também como referência para refletir sobre as ações de cuidado e a educação das crianças pequenas.
As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil definem as escolas infantis como instituições abertas às famílias e à comunidade, como um local que oferece a efetivação de um direito social que todas as famílias têm, e que possui como objetivo garantir bem-estar para todos. Nesse sentido, esse estabelecimento educacional tem como foco a criança e como opção pedagógica ofertar uma experiência de infância intensa e qualificada. Torna-se, assim, um espaço de vida coletiva onde, diferentemente do ambiente doméstico, os bebês convivam com um grupo de crianças pequenas. Nesse lugar, junto com seus amigos e amigas, sob a coordenação de adultos especializados, as crianças têm a possibilidade de experimentar, aprender e construir relações afetivas. Do ponto de vista político-pedagógico, podemos selecionar três aspectos das diretrizes curriculares que são imprescindíveis na constituição de proposta(s) para a educação dos bebês em espaços de vida coletiva.
O primeiro é a compreensão dos bebês como sujeitos da história e de direitos.
Direito à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação com outras crianças. Quando as crianças são tomadas como seres capazes elas se tornam protagonistas no projeto educacional. Essa é uma mudança paradigmática na compreensão da educação dos bebês, pois se afirma o compromisso com a oferta de um serviço educacional que promova, para todas as crianças, a possibilidade de viver uma experiência de infância comprometida com a aprendizagem gerada pela ludicidade, brincadeira, imaginação e fantasia. Nesse espaço, os bebês aprendem observando, tocando, experimentando, narrando, perguntando, e construindo ações e sentidos sobre a natureza e a sociedade, recriando, deste modo, a cultura.
O segundo é a defesa de uma sociedade que reconheça, valorize e respeite a diversidade social e cultural, e que procure construir a igualdade de oportunidades educacionais entre as crianças oferecendo acesso a bens culturais selecionados com os critérios da interculturalidade, da democracia, bem como afirmando a ruptura com relações de dominação como: a etária, socioeconômica, de gênero, regional, lingüística e religiosa e combatendo o racismo.
E, por último, a valorização das relações interpessoais, a convivência das crianças entre elas, mas também entre os adultos e as crianças, pois são estas relações sociais que oferecem os elementos para a construção da sociabilidade e da constituição subjetiva de cada uma das crianças. Esse é um importante papel da educação infantil principalmente no que se refere às crianças bem pequenas, pois nesta faixa etária as interações entre as pessoas têm expressiva relevância para a construção das identidades pessoal e coletiva das crianças.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Síntese dos aportes legais que regulamentam a Educação Infantil

Os últimos acontecimentos referentes a educação infantil, tratam de assegurar a mesma, no plano legal,  como um dos direitos das crianças, sendo esta educação uma educação de qualidade que promova seu desenvolvimento pleno. Esse texto pretende fazer uma síntese sobre as aportes legais que defendem o atendimento educacional das crianças assegurando-o como direito das mesmas.
A Constituição de 1988, primeiro documento legal que integra a educação infantil ao sistema de ensino básico, faz referência aos direitos específicos das crianças e define como direito da criança de 0 a 6 anos de idade e dever do Estado o “atendimento em creche e pré-escola”. Leite Filho (2001) nos diz que a constituição federal de 1988 se constitui num “(...) marco decisivo na afirmação dos direitos da criança no Brasil”. Desde esse momento tanto a creche como as pré-escolas passam a ser consideradas como parte do sistema de ensino, além do que o atendimento em creches e pré-escolas representa um grande passo na superação do caráter assistencialista nos programas voltados para essa faixa etária.
O ECA (estatuto da criança e do adolescente) criado através da lei 8.069/90 vem regulamentar o artigo 227 da constituição de 1988. O ECA é responsável por um novo modo de enxergar as crianças brasileiras, pois lhes garante a inserção no mundo dos direitos humanos, reconhecendo legalmente as mesmas como sujeitos de direitos.
Em 1996 é publicada a LDB e a educação infantil foi conceituada, no art. 29 da LDB, como sendo destinada às crianças de até 6 anos de idade, com a finalidade de complementar a ação da família e da comunidade, objetivando o desenvolvimento integral da criança nos aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e sócias.
A educação infantil assim ficou definida:
Creche (0 a 3anos);
Pré-escola (3 a 6anos).
Com isso a educação infantil é incorporada a educação básica e passa a ser tratada como primeira etapa da escolarização.
A lei, em seu art. 31, determinou que, na fase de educação infantil, a avaliação deverá ser feita apenas mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento da criança e sem qualquer objetivo de promoção ou de classificação para acesso ao ensino fundamental.
Leite Filho (2001) destaca que:
Este artigo impede que educadores reprovem as crianças na pré-escola, permitindo-as ingressar no ensino fundamental, obrigatório, e iniciar sua escolaridade por volta dos 6,7 anos de idade, independente do que são capazes de provar a seus professores na pré-escola.
No ano de 1998 é lançado o Referencial Curricular Nacional, pelo MEC, para a educação infantil, que relaciona o cuidar e educar como binômio indissociável nas práticas pedagógicas da educação infantil. O RCNEI se configura como um marco na educação infantil brasileira, pois nele encontram-se as bases que asseguram a construção de uma proposta pedagógica para cada faixa etária das crianças, a fim de orientar sobre os aspectos mais importantes para um atendimento de qualidade na Educação Infantil. É ele também quem direciona um “modelo” do perfil do profissional da educação infantil.
No final do ano de 1998 o parecer 022/98 sobre as DCNEI é aprovado com caráter mandatório, o mesmo constitui-se numa espécie de doutrina sobre princípios, fundamentos e procedimentos em relação à educação básica, trazendo assim importantes contribuições para o funcionamento das instituições de educação infantil no nosso país.
Outro marco importante para a educação infantil é o “PNEI: Pelo direito das crianças de zero a seis anos a educação”. Neste documento nós encontramos as diretrizes da política nacional da educação infantil com seus objetivos, estratégias e as recomendações necessárias para a implantação das políticas em todas as instituições de educação infantil. Mais alguns aspectos que se destaca neste documento são:
Educação Infantil: primeira etapa da Educação Básica é oferecida em creches e pré-escolas, as quais se caracterizam como espaços institucionais não domésticos que constituem estabelecimentos educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de 0 a 5 anos de idade no período diurno, em jornada integral ou parcial, regulados e supervisionados por órgão competente do sistema de ensino e submetidos a controle social (art.5º).
Currículo: Currículo é o conjunto sistematizado de práticas culturais no qual se articulam as experiências e saberes das crianças, de suas famílias, dos profissionais e de suas comunidades de pertencimento e os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, científico e tecnológico.
Educar-cuidar: Como ação pedagógica de consciência, estabelecendo uma visão integrada do desenvolvimento da criança com base em concepções que respeitem a diversidade, o momento e a realidade peculiares à infância.
O estudo, bibliográfico, dos documentos legais que regem a educação infantil brasileira, nos aponta para as significativas mudanças ocorridas nos últimos tempos no cenário educacional do país. Um dos marcos, que consideramos importantes para as referidas mudanças e a “elevação de status” da criança a ser um sujeito de direitos e deveres, que tem vez, voz, um ser cidadão, que já nasce cidadão e como tal precisa de uma educação que lhe garanta o desenvolvimento pleno (cognitivo, simbólico, social e emocional) integrando as ações do educar-cuidar com instituições e profissionais qualificados.
Enfim, mesmo com todos esses avanços ainda há muito que se fazer pela nossa educação infantil, que na nossa realidade de Brasil é marcada por inúmeras desigualdades no âmbito educacional.
Referências:
ANGOTI, Maristela. Educação Infantil: para que, para que, para quem e por quê. In.:_____.(org.) Educação Infantil – Para quê, para quem e por quê?. Campinas, SP: Editora Alínea, 2006.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federal do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Imprensa Oficial. Brasília, DF, 1988.
BRASIL. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.
BRASIL. Parâmetros de Qualidade para a Educação Infantil. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Infantil e Fundamental, 2006b.
BRASIL. Lei n.º 9.394 de 20 de dezembro de 1996.
CRAIDY, Carmen, KAERCHER, Gládis E. P. S. Educação Infantil: pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001.
LEITE FILHO, Aristeo. Proposições para uma educação infantil cidadã. In: GARCIA, Regina leite; LEITE FILHO, Aristeo. (Org.). Em defesa da educação infantil. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.






    sexta-feira, 20 de maio de 2011

    Ser pedagogo...



    Ser Pedagogo não é apenas ser Professora, Mestre, Tia, Coordenadora, Supervisora, Orientadora, Dona de escola.
    É mais do que isso
    É ser Responsável.
    Ser Pedagogo é ter coragem de enfrentar uma sociedade deturpada, equivocada sem valores morais nem princípios.
    Ser Pedagogo é ser valente, pois sabemos das dificuldades que temos em nossa profissão em nosso dia a dia.
    Ser Pedagogo é saber conhecer seu caminho, sua meta, e saber atingir seus objetivos.
    Ser Pedagogo é saber lidar com o diferente, sem preconceitos, sem distinção de cor, raça, sexo ou religião.
    Ser Pedagogo é ter uma responsabilidade muito grande
    nas mãos.
    Talvez até mesmo o futuro...
    Nas mãos de um Pedagogo concentra- se o futuro de muitos médicos, dentistas, farmacêuticos, engenheiros, advogados, jornalistas, publicitários ou qualquer outra profissão...
    Ser Pedagogo é ser responsável pela vida, pelo caminho de cada um destes profissionais que hoje na faculdade e na sociedade nem se quer lembram que um dia passaram pelas mãos de um Pedagogo.
    Ser Pedagogo é ser mais que profissional, é ser alguém que acredita na sociedade, no mundo, na vida.
    Ser Pedagogo não é fácil, requer dedicação, confiança e perseverança.
    Hoje em dia ser Pedagogo em uma sociedade tão competitiva e consumista
    não torna-se uma profissão muito atraente, e realmente não é.
    Pois os valores, as crenças, os princípios, os desejos estão aquém do intelecto humano.
    Hoje a sociedade globalizada está muito voltada para a vida materialista.
    As pessoas perderam- se no caminho da dignidade e optaram pelo atalho da competitividade,
    é triste pensar assim, muito triste
    pois este é o mundo dos nossos filhos
    crianças que irão crescer e tornar- se adultos.
    Adultos em um mundo muito poluído de idéias e sentimentos sem razão.
    Adultos que não sabem o que realmente são
    Alienados, com interesses voltados apenas pelo Ter e não pelo Ser.
    Ser Pedagogo é ter a missão de mudar não uma Educação retorcida, mas ser capaz de transformar a sociedade que ainda está por vir.
    Pode ser ideologia pensar assim, mas como Pedagogos temos a capacidade de plantar hoje nesta sociedade tão carente de valores, sementes que um dia irão florescer.
    E quem sabe essa mesma sociedade que hoje é tão infértil possa colher os frutos que só a Pedagogia pode dar.

    Ser Pedagogo por Vanessa B. de Carvalho

    Fonte: http://pt.shvoong.com/social-sciences/education/1676176-ser-pedagogo/#ixzz1Mu14wIij

    terça-feira, 17 de maio de 2011

    Exemplo de projeto na pré-escola

    O que faz os veículos se moverem?
    NATAL – RN - NUCLEO EDUCACIONAL INFANTIL – NEI/Cap/UFRN
    Co-autor (es):
    Maria de Fátima Araújo, Josélia Soares dos Santos e Charlene Cezar do Nascimento.
    Dados da Aula
    O que o aluno poderá aprender com esta aula
    • Sistematizar os conhecimentos relacionados à força motriz dos veículos
    • Organizar um painel de imagens, tendo como critério a força motriz dos transportes
    • Vivenciar um passeio em um transporte movido pela força de um animal.
    Duração das atividades
    Quatro momentos de aproximadamente 50 minutos.
    Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
    Para que a aula ocorra com sucesso, as crianças já precisam ter noção do que são meios de transporte e já terem brincado com miniaturas de meios de transporte.
    Estratégias e recursos da aula
    1° Momento: A aula deverá ser iniciada com uma conversa sobre o que move os transportes:
    O que faz os transportes se movimentarem?
    O que precisa para um barco se deslocar na água?
    Será que todos os barcos se deslocam movidos pela mesma força?
    E a bicicleta? O que faz a bicicleta andar?
    O que move uma charrete? E uma carroça?
    Durante este diálogo, o professor deve ir anotando as respostas das crianças em uma folha de papel para ser retomadas posteriormente. Em seguida, o professor deverá distribuir miniaturas de meios de transporte e, enquanto as crianças manipulam os materiais, a conversa deverá ter continuidade.
    2° Momento: Depois, o professor deverá solicitar que as crianças organizem as miniaturas, de acordo com a força motriz. Nesse momento, o professor deve mediar a atividade, questionando as crianças sobre a organização dada e organizar uma tabela que classifique os meios de transporte a seu tipo de força motriz.
    Crianças classificando os meios de transporte em relação à força motriz.
    Fonte: arquivos da autora

    3° Momento: Depois da classificação, segundo o critério força motriz, a turma deverá desenhar as miniaturas e confeccionar um painel com os desenhos, representando a atividade realizada.
    Crianças representando meios de transporte.
    Fonte: arquivos da autora
    
    4° Momento: Para fechamento da aula, propomos o passeio em um meio de transporte movido pela força de um animal, forma não-usual para as crianças urbanas: a carroça. Após o passeio, as crianças deverão conversar sobre a experiência vivida e registrar o passeio em um texto coletivo.
    Passeio de carroça e produção de texto coletivo.
    Fonte: arquivos da autora

    Recursos Complementares
    Site sobre força motriz do carro
    Avaliação
    Com esta aula é possível avaliar se as crianças conseguem identificar a força motriz de alguns meios de transporte; a participação delas na produção do painel com a classificação dos meios de transporte, segundo a força motriz; o envolvimento no passeio em um meio de transporte movido pela força de um animal.
    Aula disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br





    segunda-feira, 16 de maio de 2011

    Exploração de texturas e melecas

     

    Faixa etária
    0 a 3 anos

    ConteúdoExploração e linguagem plástica

    Objetivos
    - Explorar texturas de tintas e melecas.
    - Utilizar diferentes instrumentos para pintura.

    Ano
    Creche.

    Tempo estimado
    Durante todo o ano, ao menos uma vez por semana.

    Material necessário
    Bacias grandes, utensílios de cozinha como coadores, espátulas, colheres, escumadeiras, pratinhos e vasilhas de diferentes tamanhos. Pincéis, brochinhas, rolinhos de pintor, esponjas e suportes grandes, como papéis, tecidos lisos, plásticos e caixas de papelão. Farinha de trigo, gelatina em pó com cores fortes, amido de milho, corante comestível (anilina) e natural, feitos com frutas e geleias, para preparar tintas e massas (para cada xícara de água morna, acrescente uma de amido de milho e um pacote de gelatina. É possível variar a densidade da meleca acrescentando mais água ou mais farinha. Para mudar as cores, acrescente o corante.
    Flexibilização
    Para alunos com deficiência física
    Para trabalhar com bebês com deficiência física nos membros superiores, envolva os rolinhos e os pincéis em espuma. Isso vai ajudar os pequenos a ter mais firmeza na hora de fazer as primeiras pinturas. Você pode fixar papeis em pranchetas inclinadas e colocar em frente ao bebê ou fazer com que a criança crie suas próprias estratégias para pintar nos papeis fixados no chão. Estimule que ela pinte com os pés junto dos colegas e deixe as tintas em lugares acessíveis e próximos da criança com deficiência. Os outros bebês também ajudam a criança a segurar alguns objetos ou alcançar os potes de tinta.

    Desenvolvimento
    1ª etapa
    As experimentações com as tintas podem ocorrer na sala, em uma oficina de artes ou em espaços externos. Monte o local deixando à mão tudo o que será necessário para o andamento da proposta, pois assim você pode ficar mais atento às crianças e suas explorações. Forre o piso (se estiver num espaço de uso coletivo ou sala) e ofereça papéis no chão, na mesinha ou na parede para que deixem marcas. Coloque o material ao alcance de todos e deixe as crianças de fraldas ou roupas que possam sujar. Planeje também como será a arrumação ao fim da atividade: onde serão colocadas as produções? Quem ajudará na limpeza e no atendimento às crianças? Quem documentará a atividade? Planeje como mostrar os primeiros resultados da atividade, incluindo as fotos, às famílias. Assim, todos poderão participar, mesmo que indiretamente.

    2ª etapa
    Apresente os materiais aos bebês. É importante que eles diferenciem os momentos de trabalho daqueles de alimentação. Por isso, não os incentive a comer durante as atividades, mesmo que os materiais sejam comestíveis. Mostre o que poderão fazer com as tintas. Inicie utilizando apenas água e depois amplie para misturas e melecas, como massas de amido ou farinha com corantes ou gelatinas. Ao acrescentar uma cor forte, pergunte: "Estão vendo como a cor mudou?" Para os mais crescidos, é possível introduzir terra, areia, folhas e sementes. Se fizer uma tinta de gelatina, por exemplo, deixe que cheirem, toquem e brinquem. É importante que eles se familiarizem com os materiais de apoio antes de a atividade começar - uma bacia pode ser tão interessante quanto seu conteúdo. O foco da atividade, porém, deve ser exploração de texturas.

    3ª etapa
    Convide o grupo a explorar as propriedades e possibilidades dos materiais. É possível organizar, por exemplo, uma atividade para explorar texturas de determinado material ou então uma para que os pequenos utilizem mais um tipo de instrumento, como o pincel, a brochinha e o rolinho de pintor. Nesse momento, diga: "Veja como com o rolinho você pinta uma área maior. Com o pincel, só dá para fazer um risco". Vale testar também as diferenças entre pintar com as mãos, que dá mais controle, ou com os pés, com pincéis e rolinhos, que tendem a ser mais difíceis de controlar.

    Avaliação
    Observe atentamente durante todo o processo. Isso dará indícios de como propor as próximas atividades. Em alguns casos, vale fazer pautas de observação individual, pois cada criança pode apresentar formas muito distintas de aproximação dos materiais: algumas se lambuzam logo no primeiro dia e aos poucos vão se concentrando em explorações mais definidas. Outras demoram mais tempo para se soltar e há ainda as que insistem em pesquisas específicas de cores, misturas ou ocupação dos suportes etc. No dia seguinte ao trabalho, retome com o processo documentado, conversando com todos para ver se lembram quais os materiais e utensílios foram usados em cada atividade.
    Consultoria: Daniela Pannuti
    Orientadora pedagógica do Colégio Vera Cruz, em São Paulo.
    Em:://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil

    Minhas antigas turminhas!