" Um professor influi para a eternidade; nunca se pode dizer até onde vai sua influência."
(Henry Adams)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cuidados com os dentinhos

Higiene bucal mesmo sem os dentinhos                               
Engana-se a mamãe que acha que deve se preocupar com a limpeza da boca e dos dentes do bebê só depois que os dentinhos surgem na boca. Pior ainda são as mães que acham que dentes de leite não precisam de cuidados, pois têm vida curta.
Espero que 99,9% dos pais não pensem dessa forma. Os dentes de leite são sim importantes e merecem todo o cuidado. São eles que guiam o nascimento dos dentes permanentes, que abrem os espaços para a dentição posterior e são essenciais para uma boa mastigação e para a fala.
A saúde dos primeiros dentinhos motiva a saúde dos dentes permanentes.
Os primeiros dentes nascem ao redor do sexto mês de vida, mas a limpeza da boca deve começar antes, com uma gaze ou fralda molhada em água filtrada, passe por toda a boca da criança, limpando gengiva, bochechas e língua.
Assim, desde pequenina a criança se acostuma com a intervenção na boca, não dando trabalho quando começar a ir ao odontopediatra e com hábitos orais corretos.
Fase pré-escova- Cada idade tem um jeitinho de fazer a limpeza da boca do bebê. Logo que os dentinhos nascem, a gaze ou fralda é substituída por uma dedeira. Da dedeira, a escova de dente infantil já é recomendada. O fio dental é recomendado assim que os primeiros dentes surgem.
O uso de creme dental só deve ser usado sob orientação do odontopediatra, que indicará quando e qual creme usar, já que para os pequenos não pode conter flúor devido à imaturidade da deglutição - a criança ainda não está suficientemente preparada para engolir todo o flúor que, em excesso, pode fazer mal à saúde dos dentes permanentes.
Cárie de mamadeira- Existe um mal que acomete cerca de 60% das crianças de até três anos de idade e que pode ser evitada com algumas atitudes: a cárie de mamadeira, provocada principalmente pela alimentação noturna da criança (seja o leite materno ou não) seguida do sono sem a devida higienização.
A saliva tem uma ação protetora dos dentes e ajuda a manter a boca limpa, mas durante o sono, a quantidade de saliva diminui, favorecendo a rápida instalação da cárie.
A cárie de mamadeira provoca muita dor e ataca todos os dentes da criança em um curto espaço de tempo, provocando mau hálito, deficiência na mastigação e na fala, além de ficar com uma estética feia. Se a mamãe observar manchas brancas opacas nos dentinhos do seu filho, leve imediatamente ao dentista. Essa machinha é o início da cárie.
Outros fatores que provocam a cárie de mamadeira são o uso excessivo de açúcares na alimentação da criança e o hábito que algumas mamães têm de adoçar a chupeta para acalmar o bebê e fazê-lo dormir.
Como a cárie é ima doença infecciosa, isto é, passa de pessoa para pessoa, evite assoprar a comida da criança, dividir o mesmo talher ou beijar a sua boca, pois se estiver com cárie, pode contagiar a criança.
A boa higienização oral desde bebê é um bom começo para uma dentição saudável no futuro.
Dicas
O nenê não tem dentinho, mas nem por isso devemos esquecer de higienizar a boca dele. A alimentação noturna deve ser retirada até os doze meses de vida para evitar a cárie de mamadeira.
Caso a criança se alimente à noite, a mamãe deve fazer a higienização da boca da criança mesmo que esta esteja dormindo.
Leve a criança ao dentista a cada seis meses, a partir dos seis meses de vida da criança para a prevenção de cáries.
Do site: http://guiadobebe.uol.com.br/higiene-bucal-mesmo-sem-os-dentinhos/

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Respostas para 7 dúvidas sobre o uso da chupeta por crianças

Quando o bebê nasce, os pais passam a se questionar sobre os benefícios e os malefícios de oferecer a chupeta a ele. Alguns temem causar depedência, outros pensam em possíveis problemas na dentição e na fala. Na creche, o panorama enfrentado pelos educadores não é diferente. Há muita dúvida e, por causa de tanta indecisão, esse objeto pode acabar ocupando o espaço que não merece, ser proibido radicalmente ou, pior ainda, ficar marcado como um elemento estranho ao ambiente, provocando certa inquietação, que ninguém se arrisca a resolver. Um cenário insustentável, ainda mais porque envolve dois aspectos importantíssimos da Educação Infantil: cuidados com os pequenos e a promoção da autonomia. Confira a seguir as recomendações de especialistas para as dúvidas mais comuns.
 1. Para que serve a chupeta? Ela é uma fonte de relaxamento para os bebês (não é à toa que um dos sinônimos é consolador e o termo em inglês é pacifier, que significa "pacificador"). Segundo explicação do pediatra José Martins Filho no livro Lidando com Crianças, Conversando com os Pais, ela possibilita o movimento de sucção, um bom exercício para o desenvolvimento infantil, pois articula os músculos necessários à fala.
2. Seu uso pode ser permitido na creche? Sim. "É errado os educadores proibirem que os pequenos chupem chupeta. Não há motivo para isso", explica Maria Paula Zurawski, professora do Instituto de Educação Superior Vera Cruz (ISE Vera Cruz) e assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. O objeto desempenha um papel importante na adaptação dos pequenos quando eles começam a frequentar a creche porque é útil para preencher a falta dos pais, funcionando como uma lembrança do ambiente de casa enquanto o vínculo com o educador e com as outras crianças não for estabelecido plenamente.
 3. Na hora de dormir, ela pode ser permitida? Sim, a chupeta ajuda a embalar o descanso dos bebês. Apesar disso, existem outros momentos em que ela não deve ser liberada: durante as atividades e as refeições, já que, além de atrapalhar o desenvolvimento da dicção, pode estimular o comportamento introspectivo, prejudicando a socialização.
4. É papel do educador ajudar as crianças a largar a chupeta? Sim, mas não há um método para isso. A função do professor é promover a autonomia delas - o abandono do objeto é uma consequência. Cabe ao adulto ainda desenvolver uma relação de confiança com os pequenos para que eles se sintam cada vez mais seguros na creche. Por isso, é importante ter em mente que chupar chupeta é um hábito que deve ser tolerado, mas não incentivado. Para explorar a responsabilidade e a independência de cada um, proponha que, quando forem vetadas, elas sejam guardadas em potes individuais, junto aos demais materiais de uso pessoal. Um alerta: não perca tempo explicando para as crianças os problemas que ela pode acarretar, como dificultar a fala e atrapalhar o crescimento da dentição, na tentativa de fazer com que a larguem. "Até os 3 anos, a relação entre causa e consequência ainda não é bem compreendida", explica Cisele Ortiz, psicóloga e coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá, em São Paulo.
5. Até que idade os pequenos podem usar a chupeta? Não existe um limite fixo. O bom senso deve prevalecer, afinal, ela é um material de apego, tal como um cobertor ou um brinquedo qualquer que os pequenos costumam adotar para ter por perto durante um tempo. Com um bom trabalho de promoção de autonomia, feito pelos educadores em parceria com a família, é possível ajudá-los a chegar à pré-escola livres dela (leia o plano de trabalho). "Eles gostam de mostrar aos adultos que estão crescendo e, por isso, acabam abandonando a chupeta facilmente quando incentivados", esclarece Adriana Ortigosa, coordenadora da EM Noel Rosa, em Guarulhos, na grande São Paulo.
6. Quais os efeitos positivos e negativos do objeto? "Ele é danoso se der origem a uma relação de dependência duradoura", fala Ana Paula Yazbek, formadora de professores do Centro de Estudos da Escola da Vila, em São Paulo. Por isso, quando a choradeira tomar conta do ambiente, contenha o ímpeto de silenciar a turma oferecendo a chupeta: busque o que está causando o desconforto. "Conversar em vez de dá-la é uma forma de não comprometer o desenvolvimento da capacidade nos pequenos de expressar sentimentos oralmente", diz Maria Paula.
7. O uso deve ser combinado com a família? Sempre. Se os pais insistirem para que o filho não use a chupeta na creche, explique que se trata de um apego passageiro, porém muito valioso para ele. "Deixe claro que o objeto não prejudica o aprendizado dele em nada. Mas, se ainda assim eles não concordarem com a liberação, diga que é importante permitirem que a criança tenha outro objeto de apego caso ela demonstre essa necessidade.
 Reportagem sugerida por 1 leitora: Edna Nery Borbely, São Paulo, SP
Quer saber mais?
CONTATOS
Ana Paula Yazbek
Cisele Ortiz
EM Noel Rosa, tel. (11) 2407-2090
Maria Paula Zurawski
BIBLIOGRAFIA
Lidando com Crianças, Conversando com os Pais
, José Martins Filho, 400 págs., Ed. Papirus, tel. (19) 3272-4500, 84,90 reais
INTERNET
Neste endereço, digite na busca "Critérios para um Atendimento em Creches Que Respeite os Direitos Fundamentais das Crianças", para acessar o documento do MEC na íntegra.

 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Brincadeiras na frente do espelho

Faixa etária0 a 3 anos
Conteúdo
Identidade e autonomia
Objetivos - Familiarizar-se com a imagem do corpo.
- Trabalhar imitações, gestos e expressões.
- Construir a identidade.
Tempo estimado De 15 a 20 minutos por dia.
Material necessário

Dois espelhos grandes (de preferência presos à parede), cartazetes com fotos de diferentes expressões faciais retiradas de revistas ou da internet, aparelho de som, fantasias, bijuterias, chapéus, maquiagem infantil e colchonete.
Desenvolvimento Todas as atividades devem ser feitas em frente aos espelhos, sempre estimulando a observação.
Atividade 1
Incentive os pequenos a observar a própria imagem. Peça que eles toquem diferentes partes do corpo. Proponha brincadeiras como balançar os cabelos, levantar os ombros e cruzar os braços. Estimule-os a imitar os gestos dos colegas: Vejam a careta do João! Vamos fazer igual?
Atividade 2
Coloque músicas do cancioneiro popular (Caranguejo Não É Peixe, Cabeça, Ombro, Perna e Pé etc.) que abordem partes do corpo ou sugiram movimentos. O objetivo é se aventurar em novos gestos e imitar os colegas.
Atividade 3
Proponha agora a brincadeira seu-mestre-mandou. Com todos em pé, dê os comandos: Cruzar as pernas!, Ajoelhar-se!. A cada posição, estimule-os a se observar e testar possibilidades de movimento.
Atividade 4
Para brincar com expressões faciais, mostre cartazetes com diversas fisionomias. Depois, sugira que a garotada faça caretas variadas.
Atividade 5
Hora do faz-de-conta: sugira que cada um escolha se quer brincar de casinha, fantasiar-se ou maquiar-se. Ofereça novas possibilidades de acessórios e de brincadeiras.
Avaliação Observe se houve concentração, interação com o espelho e com os colegas e exploração dos gestos e materiais. Sempre que possível, repita a seqüência com outras propostas e brincadeiras.
Retirado do site: http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/0-a-3-anos/hora-se-conhecer-423010.shtml
Consultoria: Caroline Folgar
Coordenadora pedagógica da Creche Gota de Leite, em Santos.
Imagem:google.com

segunda-feira, 30 de maio de 2011

As especificidades da ação pedagógica com bebês - Parte V


Maria Carmem Barbosa
DESAFIOS PARA CONSTRUIR UM DIA A DIA COM OS BEBÊS
O cotidiano das crianças na sala de bebês vai sendo construído através de atos de cuidado e educação dos docentes. Todo o dia inicia-se o encontro dos bebês e adultos com o acolhimento, que pode ser feito de diferentes formas. Em seguida, a professora pode criar uma situação, pautada nas suas observações, que faça com que os bebês encontrem algo (ou alguém) agradável, interessante e instigante.
Uma das características de uma turma de bebês é que mesmo quando a professora tem uma proposta muito interessante os bebês geralmente não participam dela como grupo completo, ou ao menos não ficam presentes em sua totalidade. Sempre há um bebê que está com sono, outro que precisa ser trocado. Assim, aquilo que denominamos trabalho diversificado é uma constante na turma de bebês.
Nestes momentos de encontro, a professora pode promover o relacionamento e a interação das crianças com diferentes materialidades e com manifestações culturais como a música trazendo canções cantadas pela professora ou através de CDs, caixas com instrumentos musicais; propor para os bebês acompanhar a música com o balanço do corpo, o que não deixa de ser uma introdução à dança que deve ser sempre lembrada e estimulada.
Mesmo os bebês sendo pequenos, temos a possibilidades de oferecer massas e tintas adequadas para fazer experiências plásticas assim como água, barro e gelo. Além disso, pode-se promover brincadeiras com blocos, jogos de descoberta, construções, encaixes, “faz de conta”, brincadeiras com bolas, arcos, almofadas para criar situações de desafios motor. Com a linguagem também se faz muitas brincadeiras: onomatopéias, versos, trava-língua, canções, brincadeiras como: cadê o toicinho, serra-serra serrador, que envolvem movimento junto com uma canção são extremamente bem-vindas.
Nas salas devem ser privilegiados os brinquedos e materiais naturais como, por exemplo, panos, pecinhas de madeira, etc. A brincadeira do “cesto dos tesouros”, elaborada por Elinor Goldschimied, é muito indicada para os bebês, pois possibilita a exploração, a composição e a estruturação de uma brincadeira individual e também coletiva, além de ampliar a confiança das crianças.
Grande parte das intervenções da professora ocorrerá no sentido de facilitar as relações sociais, transmitir as possibilidades das brincadeiras em sua multiplicidade e riqueza. A linguagem oral das crianças e sua capacidade de locomoção também serão pontos que regularmente devem ser trabalhados. Igualmente fazem parte da sala dos bebês os livros de imagens, de poesias, de histórias, podendo a escola até fazer uma pequena “bebeteca” onde a criança encontre narrativas e interação com a linguagem oral e convívio com diferentes suportes e gêneros.
Os bebês, mesmo pequenos, podem ir ao teatro quando o espetáculo tiver sido pensado para eles. Além de fruírem como espectadores, os bebês também iniciam seus jogos dramáticos na escola de educação infantil. Nesta faixa etária, o uso dos vídeos ou da TV devem ser feitos com parcimônia. As crianças convivem com as televisões em suas casas, porém as experiências corporais, de relacionamento, de linguagem são as mais significativas nesta faixa etária.
Sempre que possível é importante, ao selecionar os materiais, pensar numa proposta de trabalho com as crianças que leve em consideração o critério da diversidade social e cultural como instrumentos musicais, músicas de diferentes culturas, livros com imagens de crianças e bonecas de diferentes etnias, comidas (todas as culturas tem alimentos específicos para seus bebês) de diferentes tradições culturais que irão, pouco a pouco, estarem presentes no cotidiano do berçário.
Aos momentos de atividades propostas, com acompanhamento, para um grupo maior de crianças, seguem inúmeros momentos de contato individual ou em pequenos grupos. As crianças oferecem pistas, as quais os professores pegam e devolvem com novas elaborações, criando continuidades, rupturas, aprofundamentos. Nesses momentos tradicionalmente vistos apenas como educativos é preciso um profundo olhar de cuidado do professor, cuidado na seleção dos materiais, cuidado para estar atento às expressões das crianças, cuidado para dar o tempo adequado para o desenvolvimento da atividade.
Como as crianças desta idade ainda têm necessidades corporais muito constantes este, provavelmente, será o momento de alimentar-se através de um pequeno lanche. A alimentação é uma prática cultural repleta de simbolismo. A escolha dos alimentos, a forma como se organiza as cadeiras, o lugar onde se come – se sala ou refeitório – os instrumentos que se usa para comer, tudo isto diz respeito à formação cultural e social.
Também o modo como se inicia e finaliza a alimentação fazem parte de um ritual, um ritual que não é igual ao doméstico e que na escola pode ser construído com a participação das crianças e transmitido aos bebês.
Nos momentos de alimentação, as crianças ficam envolvidas com a ação dos adultos, porém algumas vezes, conforme a configuração dos móveis pode ser um momento de grande socialização e vida coletiva. Em geral as crianças participam com muita alegria deste momento que é muito mais do que uma necessidade fisiológica. A dependência das crianças de uma alimentação que é servida para elas, vai, pouco a pouco, sendo substituída por situações de alimentação com elas. Por exemplo, pode-se dar uma fruta amassada, mas também dar um pedaço grande, para o bebê explorar, colocar na boca, comer, para finalmente tornar-se uma ação autônoma das crianças.
Aprender a alimentar-se é uma importante aprendizagem para a primeira infância, pois envolve aspectos sociais, de cuidado pessoal, auto-organização, saúde e bem-estar; motores: manuseio de talheres, movimento da boca, ingestão e fonoarticulatório.
Nessa situação podemos novamente compreender a inseparabilidade das ações de educação e cuidado.
Após a alimentação, a higiene será uma necessidade das crianças. Preparar um ambiente tranquilo, de intimidade e poder ofertar tempo e disponibilidade de atenção individual são características de um bom momento educativo na higienização. Deixar as crianças confortáveis, limpas com um contato especial propicia grande satisfação.
Em seguida vem o sono, que pode ser precedido por uma canção, uma história, uma poesia, ou seja, também se pode criar um ritual de sono na escola. Este não é um momento fácil para todas as crianças, algumas resistem a passar da vigília para o sono.
Assim tanto o momento de auxiliar a dormir como o momento de acordar deve ser visto com delicadeza e reflexão, isto é, cuidando e educando os bebês.
Em idades posteriores podemos denominar este momento de repouso, pois não deve haver a obrigatoriedade de dormir, porém nesta faixa etária o sono segue, com frequência, aos momentos de alimentação e evacuação. A diferença é que os bebês bem pequenos não têm, muitas vezes, grande sincronia uns com os outros, e quando alguns dormem outros ficam acordados possibilitando intervenções pontuais de seus educadores. Estes podem lhes oferecer propostas onde as crianças aprendam observando, tocando, experimentando, e construindo ações e sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo deste modo cultura.
Todos os dias os bebês precisam ir ao pátio, pois este é um procedimento saudável e também uma importante situação de integração com as demais pessoas da escola, especialmente porque promove interações entre crianças de mesma idade e crianças de diferentes idades. É importante que todos os dias os bebês vivenciem situações que incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças em relação ao mundo físico e social, ao tempo e à natureza.
Ao longo do dia estes momentos se sucedem. Na medida em que as crianças vão ficando mais velhas, diminui a centralidade das situações de alimentação, repouso e higiene. Assim como todo o dia o acolhimento aos bebês e aos pais deve ser valorizado, a saída é o momento do reencontro com os familiares, momento de emoção, de troca de informações – orais e escritas. Muitas vezes estes momentos são tensos, pois as crianças querem permanecer, ou choram ao ver os pais. É a confiança, continuamente reassegurada, que permite viver as variadas situações emocionais da entrada e da saída com tranquilidade.
O acompanhamento/avaliação
Ao longo do processo, a professora deverá constituir estratégias - através de distintos instrumentos como fotos, desenhos - para acompanhar tanto o seu trabalho pedagógico como para coletar dados sobre as crianças no que se refere tanto à vida do grupo como aos processos vividos por todas as crianças individualmente. Os dados individuais, recolhidos, refletidos não devem servir para selecionar ou estigmatizar as crianças, mas para poder construir perspectivas futuras de intervenção pedagógica.
Os registros, após sua organização, tornam–se um documento para contar para as crianças e suas famílias seus os percursos de aprendizagem individuais e coletivos. Isto significa garantir para as crianças uma memória, contada narrativa e descritivamente, sobre sua vida. Tais registros também servem para construir a memória da instituição e para refletir sobre o projeto pedagógico, constituindo uma documentação específica que permite às famílias conhecer o trabalho da instituição junto às crianças e os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança na Educação Infantil, além de, com isto, valorizar o papel da creche e dos profissionais da educação infantil. Avaliar, refletir criticamente sobre os dados coletados e organizados, é um fator indispensável para qualificar o trabalho.
Referencias Bibliográficas
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COHN, Clarice. Antropologia da Criança. Ed. Jorge Zahar: Rio de Janeiro, 2005.
CRUZ, Silvia H. Vieira. A criança fala: a escuta de crianças em pesquisas. São Paulo: Cortez editora, 2008.
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FARIA, Ana Lúcia G.; MELLO, Suely Amaral. (Orgs.) Linguagens Infantis: outras formas de leitura. Campinas, SP: Autores Associados, 2005. P. 5-22.
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KLAUS, Marshall H.; KLAUS, Phyllis H. Seu Surpreendente Recém-Nascido. (Trad.)
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Textos, dissertações e teses
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ANJOS, Adriana M.; AMORIM, Katia de Souza; VASCONCELOS, Cleido Roberto F.;
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BRASIL b. Relatório de Pesquisa: A Produção Acadêmica sobre Orientações Curriculares e Práticas Pedagógicas na Educação Infantil Brasileira. Projeto de Cooperação Técnica MEC / Universidade Federal do Rio Grande do Sul para Construção de Orientações Curriculares para a Educação Infantil. Brasília, MEC/Secretaria de Educação Básica/ UFRGS, 2009.
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COUTINHO, Ângela Scalabrin. As crianças no interior da creche: a educação e o cuidado nos momentos de sono, higiene e alimentação. Florianópolis, 2002. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina.
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PRADO, Patricia Dias. Educação e Cultura Infantil em creche: um estudo sobre as brincadeiras de crianças pequeninas em um CEMEI de Campinas. Campinas, 1998. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas.
PAIVA, Ana Paula. Literatura Infantil: muito além do cantinho da leitura. Porto Alegre. 2010. 4 f. (Texto digitado).
RICHTER, Sandra Regina S.; BARBOSA, Maria Carmen S. B. Educação Infantil: Qual currículo com crianças pequenas? In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE
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SCHMITT, Rosinete Valdeti. “Mas eu não falo a língua deles!”: as relações sociais de bebês num contexto de educação infantil. Florianópolis, 2008. Dissertação (mestrado) -Universidade Federal de Santa Catarina.

sábado, 28 de maio de 2011

Dica de leitura para o fim de semana: O Que Tem Dentro da sua Fralda?

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Tradutor: Vânia Maria A. de Lange
Ratinho é muito curioso. Ele gosta de descobrir como tudo é por dentro. Nada escapa de Ratinho, nem mesmo as fraldas de seus amigos. Coelho, Cabrita, Cachorrinho, Bezerro, Potrinho e Porquinho, todos mostram suas fraldas. Então, claro, eles também querem ver a fralda de Ratinho. Uma grande surpresa os espera. Um divertido livro com abas sobre a grande curiosidade de um pequeno rato. Diversão garantida para crianças e adultos.
Leia também do mesmo autor: O que é o que é?. 

As especificidades da ação pedagógica com bebês - Parte IV

Maria Carmem Barbosa
Uma pedagogia para o dia a dia da sala de bebês
Para organizar um percurso de aprendizagem e desenvolvimento para os bebês é preciso que se tenha um Projeto Político-pedagógico que defina objetivos de longo prazo, pois a formação humana é algo que necessita de tempo. Além disso, cabe à escola saber o que cada bebê, e o grupo de crianças pequenas precisa para, assim, construir estratégias que possam oferecer às crianças as ferramentas necessárias para compreender e apresentar-se ao mundo.
A explicitação nos objetivos das concepções educacionais e das estratégias educacionais com as crianças pequenas é importante, pois possibilita aos educadores compartilhar - tanto com seus colegas, no interior da escola, como com os pais e a comunidade - seus princípios educativos. Ter concepções compartilhadas significa argumentar, constituir coerência, estabelecer continuidade e estabilidade tanto horizontal, na escola e na família, como vertical, entre as turmas ou níveis de ensino.
Tendo claro e compartilhado concepções e objetivos pode-se, então, começar a constituir o processo educacional. Elaborar uma intervenção pedagógica numa turma de bebês significa realizar ações de dois tipos: (a) a construção de um contexto e (b) a organização de um percurso de vida.
Construir um contexto
Uma especificidade da pedagogia com os bebês é a sutileza, a forma indireta e discreta com que se realiza. A primeira intervenção é no modo de constituir um contexto, contexto que se bem organizado nos propiciará conhecê-las e interagir com elas. Se inicialmente a professora organiza o ambiente, a presença das crianças, as conversas com as famílias, as interações do grupo podem ir transformando esses contextos. Se no início ele é mais material: móveis, brinquedos, decorações, pouco a pouco ele se torna mais social, pois o aspecto social não existe sem o material e vice-versa.
O contexto, como foi visto acima, se estrutura a partir de algumas variáveis como: a organização do ambiente, os usos do tempo, a seleção e a oferta de materiais, a seleção e a proposta de atividades e a organização da jornada cotidiana.
Organização do ambiente
A pesquisa sobre o espaço físico da escola nos ensina que os ambientes possuem uma linguagem silenciosa, porém potente. Ele nos ensina como proceder, como olhar, como participar. Uma sala limpa, organizada, iluminada, com acessibilidade aos materiais, objetos e brinquedos é muito diferente de uma sala com muitos móveis, com objetos e brinquedos fora do alcance das crianças e escura ou abafada. Cada um destes ambientes nos apresenta uma concepção de infância, de educação e cuidado. Os ambientes são a materialização de um projeto educacional e cultural.
Alguns pesquisadores observaram que quando os espaços nas escolas estão bem planejados o professor deixa de ser o único foco de atenção das crianças e o próprio ambiente chama as crianças pequenas para diferentes atividades. Isto é, uma das tarefas principais de um professor de bebês é criar um ambiente onde as crianças possam viver, brincar e serem acompanhadas em suas aprendizagens individualmente e também em pequenos grupos.
Os ambientes precisam ser coerentes com as necessidades das crianças, proporcionando situações de desafio, mas também oferecendo segurança. Os ambientes, quando bem pensados e propostos, incitam as crianças a explorar, a serem curiosas, a procurar os colegas e os brinquedos, isto é, elas podem escolher de modo autônomo.
Ao organizar a sala para os bebês pequenos, é importante arranjar pequenos espaços, confortáveis, com espelho, tapetes, rolinhos, almofadas, que possam auxiliar na sustentação das crianças e favorecer seus movimentos. Tal espaço é organizado para que as crianças interajam com outras crianças, brinquem com os objetos e brinquedos podendo, assim, vivenciar diferentes experiências.
Quando as crianças ficam muitas horas num espaço de vida coletiva, é interessante que se institua um lugar para colocar as coisas que vem de casa como, por exemplo, as fotos da criança e da família, os brinquedos, e outros objetos que criam um “oásis” de singularidade na vida e no espaço coletivo.
Como grande parte das ações das crianças pequenas está relacionada com o ambiente físico e humano onde ela está situada, este lugar deve apresentar estabilidade, sendo flexível e evidenciando quem são os seus usuários, seus nomes e marcas, seus interesses atuais e seus processos de crescimento. Todo o material que entra em uma sala para bebês deve ser avaliado em seu estado físico, nas possibilidades cognitivas, motoras e sensoriais que oferece bem como na sua qualidade cultural. Constitui compromisso da escola oferecer brinquedos e equipamentos que respeitem as características ambientais e socioculturais da comunidade.
A sala pode estar organizada em microambientes temáticos com alguns materiais mais estruturados, mas também com material não estruturado. Nesses pequenos espaços, tapetes, colchonetes, cantos, tocas, as crianças exploram os objetos, constroem cenários e estruturam brincadeiras coletivas e individuais. Também é preciso que a sala tenha lugares como armários, caixas, cestos, onde possam ser guardados os materiais.
Os bebês na creche, além da sala, têm direito aos espaços de uso coletivo como as bibliotecas, sala de música, o pátio e outros. O parquinho da escola é um espaço que deve ser pensado e organizado na medida das crianças. Além disso, as crianças pequenas necessitam de contato diário com a luz do sol, o ar fresco e com a observação e interação com a natureza. Acima de tudo, o espaço que as crianças vivem tanto tempo precisa ser prazeroso, bonito, relaxante, alegre.
Os usos do tempo
Talvez o tempo seja um importante elemento para a definição da especificidade da educação dos bebês. As crianças pequenas precisam de tempo, de tempos longos para brincar, para comer, para dormir. Tempos que sejam significativos. As crianças pequenas, especialmente os bebês, têm a árdua tarefa de compreender e significar o mundo e precisam de tempo para interagir, para observar, para usufruir e para criar.
Muitas vezes as pessoas pensam que os bebês têm pouca capacidade de atenção, de envolvimento, de curiosidade e por este motivo não oferecem propostas de atividades para as crianças, ou, ao contrário trocam a cada momento as propostas. Ora, quando temos efetivamente contato com os bebês e os observamos brincando sozinhos ou com outros bebês verificamos que eles ficam intrigados e envolvidos com uma tarefa e podem permanecer assim por muito tempo. A pressa, em geral é nossa, dos adultos.
Ter tempo para brincar, fazer a mesma torre muitas vezes, derrubar, reconstruir, derrubar novamente, permite aos bebês sedimentar as suas experiências. A organização de uma jornada na escola precisa contemplar as necessidades das crianças sejam elas de ordem biológica, emocional, cognitiva, social e também oferecer tempos de individualização e de socialização. Nossa sociedade, em nome da produtividade, tem acelerado a vida: cada vez mais cedo e cada vez mais rápido. As crianças chegam às escolas com organizações de vida diferenciadas e, aos poucos, vão sincronizando com o grupo, isto é, a professora junto com as crianças vai construindo uma vida com tempos compartilhados. Porém é preciso cuidado para que este processo não seja invasivo e tenha atenção às necessidades, ritmos e escolhas individuais.
Construindo uma rotina
As rotinas, ou a jornada diária da sala de bebês, são aquelas experiências que se realizam ao longo do dia. Essa repetição oferece para os bebês certo domínio sobre o mundo em que vive e oferece a eles segurança, isto é, a possibilidade de antecipar aquilo que vai acontecer. A recorrência dos eventos faz com que se possa construir um eixo de história e memória, em que se construa uma identidade social, de grupo. Afinal, todos os dias, no mesmo lugar, juntamente com as mesmas pessoas serão realizadas certas atividades e repetidos alguns rituais. É neste lugar que as crianças vão se encontrar com outras crianças, aprender a se relacionar, a conviver, a cooperar, discordar. É neste espaço social que irão, com seus corpos, perceber os odores, escutar as vozes, olhar, observar, tocar, pois as crianças têm grande capacidade de compreender a realidade através dos sentidos.
Com os bebês é preciso ter muita atenção aos momentos de vida cotidiana, pois são nestes momentos que as crianças fazem as primeiras aprendizagens, aprendem a cuidar de si e a se relacionar com os outros e o mundo. Assim, fazendo as tarefas cotidianas com o apoio de um outro, em geral adulto, mas também outras crianças, que os bebês aprendem a viver a vida e vão construindo sua independência.
Geralmente as salas de bebês organizam seu tempo em momentos que iniciam com o acolhimento, passam pelas refeições, pela brincadeira, por atividades de higiene, pelas práticas de repouso, por uma ida ao pátio, isto é, pela construção de contextos educativos que possibilitam aos meninos e às meninas adquirir conhecimentos e habilidades e a realizar interações que instituem e ampliam seu repertório motor, cognitivo, emocional, social e cognitivo. Ter uma jornada diária pensada “na medida do grupo e de cada criança” significa também estar aberta ao inesperado, àquilo que “sem aviso” emerge no cotidiano e propicia as reavaliações de percurso, oferecendo novas opções aos bebês.
Então, vamos ao percurso
Se temos um ambiente acolhedor e desafiante, se já pensamos em modos cotidianos de organizar o tempo através de rotinas, se selecionamos os recursos e materiais necessários para o trabalho pedagógico, é hora de pensar como encaminhar o trabalho com as crianças afinal, as bases do trabalho pedagógico estão postas.
A partir dos objetivos presentes no PPP da escola e no planejamento anual da turma, o professor começa a organizar alguns momentos do ano que são recorrentes: o acolhimento dos bebês e suas famílias na creche, o convite aos percursos, os desafios e a construção de processos e a análise das experiências vividas. Para realizar este percurso o professor de berçário possui alguns instrumentos: a observação, o planejamento, as ações e experiências e o acompanhamento e a avaliação.
A observação
Para poder compreender e comunicar-se com um bebê pequeno é preciso observar. É através de diferentes técnicas de observação, dirigida, natural, com o uso de instrumentos como máquina fotográfica ou de filmagem, que nos aproximamos do modo como às crianças se relacionam com o mundo e com as outras crianças produzindo as suas vidas. Como não utilizam a palavra falada, é geralmente através da observação crítica, atenta e contínua das atividades, das brincadeiras e interações das crianças no cotidiano que o professor acessa aos sentimentos e questionamentos das crianças. As observações precisam ser registradas para serem compartilhadas e analisadas, é imprescindível um caderno ou pasta para a escrita das observações. Além do conhecimento das singularidades de todas as crianças, é através da observação que o professor pode construir projetos de trabalho com as crianças.
O acolhimento
A chegada de um bebê em uma família cria um momento de grande intensidade emocional e causa profundas transformações em todos os integrantes da mesma. A especificidade desse momento deve ser considerada quando se recebe um novo bebê na creche, afinal não é apenas uma criança que a escola de educação infantil irá acolher, mas toda uma família, que está vivendo um processo de transformação.
Também na escola, a chegada de um novo bebê causa nas crianças e nos adultos uma nova situação, uma reconfiguração do grupo. Assim, acolher uma criança na creche exige, dos diferentes profissionais, atenção, competência e sensibilidade nas relações com os bebês e suas famílias. Para isto, é preciso em primeiro lugar, respeitar e valorizar famílias em suas diferentes formas de estruturação e organização, e abrir diferentes canais para a participação cotidiana das famílias nas escolas de educação infantil.
A inserção das crianças na escola exige que os professores estabeleçam um contato pessoal com cada família. Para as crianças, especialmente os bebês, os primeiros dias de frequência à creche é uma fase de grande mudança e elas precisam de um ambiente que lhe ofereça segurança emocional, acolhimento, atenção. As crianças logo reconhecem a confiança que seus pais depositam na escola e nas professoras, assim, o trabalho de inserção das crianças na creche passa, necessariamente, pela relação de confiança entre pais e professores.
O professor e a escola têm o compromisso de criar estratégias adequadas ao momento de transição da casa para a instituição de Educação Infantil vivido pela criança, empenhando-se:
• Na construção de um ambiente estável de colaboração e um clima de confiança e tanto para os bebês como para as suas famílias;
• No desenvolvimento das capacidades pessoais do professor que inicia com o estabelecimento de uma relação com a criança através do olhar, do sorriso, da oferta de um objeto, e aos poucos constrói a confiança do bebê nesta nova pessoa e neste novo ambiente;
• Realizar reuniões para apresentar a proposta, as dependências da escola e as pessoas que nela trabalham;
• Entrevista com os responsáveis para conhecer bebê e suas famílias, seus hábitos e os valores;
• Combinar o processo de inserção da criança na creche: período de tempo, tempo diário de permanência, presença dos familiares, etc;
Após o momento inicial de acolhimento, as crianças e os adultos, constroem um ritmo de trabalho a partir de ações e experiências. Os desafios, as proposições, as problematizações vão se estruturando ao longo do processo. Elas iniciam com o conhecimento de todos os bebês, das situações que parecem mais significativas e, a partir de então, exigem compromisso do professor e imaginação pedagógica para continuar com um percurso.
Porém, os percursos exigem mudanças nas trajetórias quando, ao procurar escutar aquilo que nos dizem os bebês através das suas múltiplas linguagens, avaliamos que outras ações são mais importantes que aquelas planejadas. Construir, a partir daquilo que as crianças evidenciam um percurso com coerência e com uma história que pode ser registrada através de fotos e, continuamente, contada às crianças para que elas se reconheçam como sujeitos históricos, que fazem parte de um coletivo, e que deixam marcas e constroem narrativas, é um importante papel da educação nos primeiros anos.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

As especificidades da ação pedagógica com os bebês - Parte III

 
Maria Carmem Barbosa
4. ORGANIZAR UM PERCURSO EDUCATIVO PARA OS BEBÊS
Como vimos anteriormente, uma especificidade da pedagogia realizada junto aos bebês é a da centralidade das brincadeiras e das relações sociais. Portanto esta é uma pedagogia que torna imprescindível possibilitar encontros e visibilizar os modos e as diversas formas de relacionamento que se estabelecem entre as pessoas. Educar bebês não significa apenas a constituição e a aplicação de um projeto pedagógico objetivo, mas implica em colocar-se, física e emocionalmente, à disposição das crianças e isto exige dos adultos comprometimento e responsabilidade.
A responsabilidade, a competência, a formação dos gestores, professores e demais profissionais precisa também estar vinculada à delicadeza, ternura, empatia e capacidade comunicativa. Os envolvidos na educação de bebês precisam protegê-los de qualquer forma de violência – física ou simbólica – ou de negligência no interior da instituição. Sempre que algum tipo de discriminação ou violência for praticada contra um bebê é preciso realizar os encaminhamentos das violações para as instâncias competentes.
A tarefa dessa pedagogia da pequeníssima infância é articular dois campos teóricos: o do cuidado e o da educação, procurando que cada ato pedagógico, cada palavra proferida tenha significado, tanto no contexto do cuidado – como ato de atenção aquilo que temos de humano e singular – como de educação, processo de inserção dos seres humanos, de forma crítica, no mundo já existente.
Uma pedagogia de encontros e relações
Numa sala de berçário muitas relações se estabelecem. Relações entre as crianças e entre os adultos e as crianças. Porém as relações que se estabelecem entre os diferentes adultos pais, professores e demais profissionais não pode ser descuidada.
Apesar de realizarem atividades diferenciadas, professores, gestores e os diversos profissionais da escola, todos trabalham tendo um objetivo comum: oferecer para as crianças e para as famílias uma escola de qualidade. Muitas vezes as dificuldades nas relações entre os adultos acabam afetando o trabalho pedagógico e também as próprias crianças. É indispensável que estes fatos sejam observados e que se criem na escola momentos de formação para partilha das dificuldades, a comunicação, a resolução de conflitos e a felicitação pelos êxitos.
As relações entre professores e crianças
Os adultos são responsáveis pela educação dos bebês, mas para compreendê-los é preciso estar com eles, observar, “escutar as suas vozes”, acompanhar os seus corpos.
O professor acolhe, sustenta e desafia as crianças para que elas participem de um percurso de vida compartilhado. Continuamente, o professor precisa observar e realizar intervenções, avaliar, e adequar sua proposta às necessidades, desejos e potencialidades do grupo de crianças e de cada uma delas em particular. A profissão de professora na creche não é como muitos acreditam apenas a continuidade dos fazeres “maternos”, mas uma construção de profissionalização que exige além de uma competência teórica, metodológica e relacional.
As relações entre as crianças
As crianças na creche têm a experiência de viver cotidianamente em uma coletividade com meninos e meninas de idades diversas. Os bebês desde muito cedo procuram as outras crianças com olhares, esboçando sorrisos e sons, tentando através do corpo tocar no colega. A ação pedagógica na turma de bebês deve favorecer o encontro entre eles em diferentes espaços e momentos do dia. A professora ao observar precisa estar atenta aos movimentos relacionais do grupo e favorecer o desenvolvimentos corporal, afetivo e cognitivo dos bebês.
As relações com as famílias
A escola, através dos gestores e professores, tem o compromisso de construir relações com as famílias. As relações podem ser propiciadas através de distintas formas de encontro, mais ou menos formais, como reuniões, entrevistas, festas... Isto é, algumas situações individualizadas, e outras coletivas que favoreçam a escuta e as trocas. Assim as famílias irão sentir-se valorizadas e afirmadas na sua função parental, de responsáveis pela educação de seus filhos. A pluralidade de encontros favorece a construção de laços, a confiança e a troca. Mesmo antes do ingresso dos bebês na creche, é preciso que as famílias conheçam a escola e tenham tido a oportunidade de compreender e discutir o projeto pedagógico. Uma relação de confiança dos pais ou responsáveis na escola facilita estabelecer vínculos seguros dos bebês com a escola. A interação da escola com as famílias é tão importante que vem sendo considerada como um dos critérios fundamentais na avaliação de qualidade das creches.

Minhas antigas turminhas!